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sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Arte de Sublimar...


Candido Portinari


"... Quanta coisa eu contaria se soubesse a língua como a cor..."
Portinari

Candido Portinari

Já foste tocado alguma vez por obras de arte? Por algum instante observou uma imagem, e assim mergulhaste em uma suposta história ou imaginaste como seria estar naquele universo? E então, quando se dá por conta, compreende o que realmente o autor da obra queria transmitir.

Quem porta desta sensibilidade é um ser capaz de degustar todos os tipos de sentimentos possíveis na humanidade, como por exemplo, a alegria, o sofrimento, a angústia, a ira, a compaixão, o amor e muitas outras emoções que rodeiam o simples ato de viver.

E quem estende as mãos e nos leva a esses mundos? Quem são esses artistas? Ou seja, quem tem o poder de se tornar em um mediador entre o real e o fantasmático? Dom?

Nós, seres humanos, somos semelhantes a uma planta, pois aonde existe luz temos capacidade em nos transformar. Quando somos inseridos a uma cultura temos aptidões em desenvolver níveis superiores como, por exemplo, em atividades artísticas, intelectuais, cientificas ou ideológicas. Segundo Freud, essas capacidades são regidas pelo Mal estar da Civilização.

Todavia, quando nos transformamos em seres sociais, também somos regidos de pulsão de morte, principio de prazer e de egoísmo, ou seja, o narcisismo; equipamentos psíquicos inconciliável com o convívio em sociedade. Entretanto a SUBLIMAÇÃO, isto é, o simples ato de criar, é um dispositivo que possibilita de o ser humano sobreviver e preservar uma vida em sociedade.

Quando reflito sobre tal conceito, questiono: será apenas a preservação de uma vida em sociedade?

A humanidade constantemente luta contra suas próprias pulsões, contra suas dores em uma batalha interna, em que suas falas não condizem com suas atitudes e as capacidades de elaboração muitas vezes ignoram e resistem às necessidades do homem, e assim o adoece.
Quando comparo o homem a uma planta, aguço a refletir sobre a luz que permeia suas atitudes, as inspirações; a SUBLIMAÇÃO.

Criar mundos, construir castelos, travar guerras, inventar cores, ensinar seres insensíveis a viver. Todos esses mecanismos além amenizar nossas pulsões perante uma sociedade rígida, fornece principalmente condições de dar vida ao que estava desvanecido.
Nós, seres humanos, temos a capacidade de transformar, por intermédio de nossas almas, a significar emoções, nomear confusões subjetivas no simples ato de criar, sem precisamente falar, relatar e tocar.

Então, quando viajar por meio de obras de arte, de sinfonias, de poemas, isto é, das sublimações alheias, nunca esqueça que além de uma criação, tens passe livre para percorrer em histórias subjetivas, e assim, reviver o que aquelas almas, de alguma maneira, no mundo ali se findaram.


Pablo Picasso

Pablo Picasso

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pertencer a um lugar...

Encontro de CAPS

Encontro de CAPS

Parte III

No dia 18 de Maio foi o dia da Luta Antimanicomial. Quantas lutas!

Hoje relato um pouco das conquistas e os métodos utilizados para o melhor bem estar de pessoas que portam algum tipo de sofrimento psíquico. Com muito orgulho elucido tal assunto, por meio das minhas experiências em estágios, práticas e pela pós-graduação em Saúde Mental, na qual estou me dedicando.

Acredito que o conceito em Saúde Mental tenha ganhado um melhor enfoque ultimamente, apesar de algumas situações ainda serem precárias nas redes públicas, no enfoque familiar e no olhar da sociedade.

Entretanto, como profissional da saúde, hoje vejo que aos poucos vamos conquistando nossos espaços, esforçando-se para levar vida, esperança, bem estar físico e mental através de: informações, orientações, reinserção social, e assim abraçando cada vez mais essa causa.

Algumas das conquistas utilizadas e que cada vez mais crescem nas comunidades são dispositivos como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Programas de Volta Pra Casa e as Residências Terapêuticas.

Esses dispositivos são um modo de reinserir pessoas que de algum modo foram excluídas da sociedade, se fecharam em seus mundos e que novamente, por direito, lutam por seus espaços.

Simples ações, como por exemplo, irem ao banco, participar de grupos sociais, fazerem parte de comunidades, utilizarem de todos os benefícios que são oferecidos para se VIVER.

Pertencer a um lugar... Todos pertencemos... Se um dia nos fecharmos a um mundo subjetivo, acredite... Esse nos espera...

Essa é a minha, a nossa luta... e a sua?




Profissionais e Estagiárias no encontro dos CAPS ;D

"Um pouco de Arthur"

"Arthur Bispo do Rosario era esquizofrênico paranóide e viveu internado 50 anos em um hospital psiquiátrico Em seu surto, recebeu a missão de recriar o universo para apresentar a Deus no dia do Juízo Final."



"...Inserido em um contexto excludente, Bispo dribla as instituições todo tempo."


"...A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e Museus, quando sendo marginalizado e excluído é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira."
http://www.urutagua.uem.br//005/12his_faria.htm



segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pertencer a um lugar...

Parte II


Pertencer a um lugar... Frase forte. Instigante.

Quando nascemos, já somos predestinados a um lugar, uma nacionalidade, uma cultura, uma sociedade e assim, a participação em alguns grupos.

Vários papeis são desempenhados na sociedade, existem muitas raças, aptidões, culturas, ideais, SONHOS, enfim, tudo torna-se uma mistura de seres humanos que conseqüentemente ocupam um espaço e pertencem a um lugar.

Bem... quase todos. A loucura, por exemplo, veio passando por vários estigmas durante toda a historia. Loucura... O que é loucura? Antes de prosseguir a leitura... Reflita tal conceito.

Enfim, a loucura tem enfrentado por preconceitos, durante todo o contexto histórico; pessoas portadoras de uma doença mental eram acometidas como seres demoníacos, sujeitos a possessões e exorcismos.

(Imagem "Extração da Pedra da Loucura" - Rituais realizados por Igrejas. Portadores de doenças mentais passavam por uma "cirurgia", onde suas cabeças eram furadas. Alguns chegavam a sangrar até a morte.)


Os transtornos mentais foram classificados de várias maneiras, ás vezes também era considerado como dádiva em algumas culturas, mas por pouco período de tempo. Entretanto, o desconhecido causa na humanidade MEDO, e assim, a loucura foi repreendida de novo e de novo...

A ciência foi ganhando força e a loucura começou a ganhar espaço nos estudos. Porém, não foi o suficiente para que SERES HUMANOS fossem submetidos a cruéis situações de negligencias, eletro choques, expostas a maus tratos, trancafiadas sem condições de higiene, amarradas, submissas a cruéis experimentos e muitas vezes levadas a óbito.


A loucura os prendia, mas suas fantasias clamavam por liberdade!


Pertencer a algum lugar instiga-me a refletir. A psicose transforma as pessoas em seres dependentes a um mundo embotado, um mundo que apenas eles fantasiam, deliram, alucinam e vivem.


O egoísmo nasce em seres incapazes de compreender que todos têm o direito de pertencer além do fantasmático e até onde suas condições oferecem. Quem disse que a vida é apenas o que se vê ao redor? Pode-se ir além...


A DIFERENÇA faz com que as pessoas tornem-se únicas, a ponto de pertencerem em sociedades, culturas, ideologias e até em seus próprios mundos. Não basta apenas fechar os olhos, é necessário sentir, acreditar e apostar na idéia!

domingo, 25 de abril de 2010

Pertencer a um lugar...



PARTE I

Gostaria de transmitir o que sinto. Normalmente uma melodia de alguma forma transforma a vida das pessoas, as tocam e as fazem refletir.

Por isso, minhas percepções e experiências poderiam promover sensações incansáveis, delirantes e fantásticas para quem lesse o que sinto. Pois, quando somos tocados por uma melodia, entramos em seu mundo e compreendemos seus sofrimentos, angustias e alegrias.

Pretendo escrever um pouco sobre uma das minhas paixões: A Saúde Mental. Descobri esta paixão nos estágios da faculdade. As primeiras experiências foram no hospital psiquiátrico e no CAPS.

Engraçado! Lembro como se fosse hoje. A sensação de ansiedade, medo e curiosidade ao colocar os pés dentro do hospital psiquiátrico. Conhecer a loucura era para mim, uma loucura, pois não sabia o que seria; como, por exemplo, o medo de ser atacada pelos pacientes, mas a curiosidade e a sensação de pertencer á aquele lugar me deu forças.


Havia estagiários apreensivos, curiosos e amedrontados esperando em uma sala, enquanto, no corredor da mesma, éramos separados pelos pacientes por um grande portão trancado por fechaduras e chaves.

Ao observar, quando os pacientes perceberam a presença dos estagiários, iam a bandos até o portão. Lá havia “seminaristas”, “Napoleões”, pacientes maltrapilhos, babando por causa dos medicamentos e músicas eram cantadas em um tom alto, clamada de dores, alegrias, louvores, alucinações e delírios vivenciados por eles.

A priori, a sensação foi de tristeza, dó e indignação, entretanto, havia naquele lugar SERES HUMANOS, e por algum motivo senti que fazia parte daquele lugar e que estava lá por um importante motivo: Humanizar e Compartilhar. A partir daquele dia, minha vida se transformou e como pessoa: eu cresci.

A partir disso, conhecê-los e entrar em seus mundos paralelos, me fez perceber que temos tendência e as mesmas condições em adoecer. Que somos iguais! Humanos ao ponto de frustrar-se, sofrer, amar, chorar, surtar e até enlouquecer.

Hoje posto para dizer que estou muito feliz em iniciar minha pós na área de Saúde Mental, e que pretendo continuar essa postagem relatando um pouco das minhas experiências, sensações e sentimentos frente a esse assunto.

Percebo que encontrei o meu lugar, minhas identificações, pretensões...
Com isso, procuro questionar: Qual é o lugar desses seres humanos? Não cabe a nós escolher, impôr, rotular... Todos pertencemos a um lugar, não importa o mundo, a escolha, e necessidade... O que importa é ser Feliz!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Momento Narciso...


Passando pra refletir...

Procuro sensações....

Sensaões nas quais sinto... em simples dias, noites frias, dias assim...

Palpitações, respiração... sem imagens, sem passagens, nem histórias...

Nessa constante procura, concluo que, nunca estará no outro...

Está tudo dentro de mim... Sou tudo isso e mais um pouco...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um Suspiro, A Impaciência.


No presente momento o convido a fazer uma viagem. Não precisas de aparatos, apenas coragem, pois o destino é a própria alma. Quantas vezes perguntastes o porquê tantos planos não chegaram ao seu destino ou em quem colocastes culpa por não terem sidos cumpridos.

Quem não se cobra? Unhas roídas, mãos trêmulas e noites de insônia. Já até o classificaram, dizendo que seria ANSIEDADE e quando questionam os sintomas indaga-se que a sensação é de receio, apreensão, taquicardia, sudorese e dentre outros indícios.

Mas fechando os olhos, pense! Como esse medo nasceu e como foi que deixaste a insegurança preencher sua vida? Há quanto tempo conseguiste ficar só e avaliastes as próprias atitudes? Tarefa difícil até para os mais sábios, pois o inferno não é os outros e sim a própria incapacidade.

Nessa viagem, ao longe, suspira-se um som: PACIÊNCIA. Esta está presente na dádiva da vida, pois com ela tudo se torna verdadeiro.

Percebeste quanto tempo o botão de uma rosa demora a desabrochar? Quantas ventanias e madrugadas de neblinas suportam para transformar-se em uma linda flor. E a lagarta? Que repousa na esperança de um belo dia tornar-se uma borboleta, para assim, alcançar o céu. Todos, perante o dom da vida, acreditam nos seus destinos.

E porque não acreditastes em si? Sendo o único ser capaz de construir a própria história, fazer escolhas e viver não apenas para desabrochar ou voar, mas aprender com as frustrações e um dia poder fazer tudo novamente, contudo de maneira desigual.

Saibas que, conhecer a si é ser presenteado com a dádiva da PACIÊNCIA, pois apenas quem a possui, saboreia o fruto mais doce: o desvelar da própria história.


Aff! Esse tempinho frio me desperta muita inspiração! Paciência! Pra quê portar a impaciência se ao nosso redor há muito o que desfrutar, sentir e viver! Espero que tenha agradado algum leitor...

bjo bjooo

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Verdade sobre o Desejo.



O que motiva o ser humano a suportar certas dores? O que instiga o homem a buscar cada vez mais a realizar sonhos? O que o faz tornar-se um ser ativo ao invés da passividade?

Como certos crentes, perante a vida, possuem da paciência para conseguir algumas coisas? Ou nem sempre... Às vezes é difícil deixar que a paciência reja sobre os desejos.

DESEJO, palavra na qual desperta nos indivíduos repulsa, satisfação, meta, sentido e loucuras. No senso comum, o desejo é considerado de cunho sexual, aquele que remete o ser humano a realizar fantasias ocultas e a desempenhar comportamentos findados ao ato relacional.

Atualmente, a busca de satisfação imediata aumenta na existência dos seres humanos, contudo a vontade de sanar os desejos transforma-os em dependentes químicos, impulsivos, compulsivos e a desenvolver muitos outros problemas, que findam a capacidade em reconhecer os próprios limites.

Quem é que não impõem metas para viver? Existem aqueles que fazem da vida alvo de objetivos, como por exemplo, estudar para se formar e conseguir um emprego a altura do merecido, casar e construir uma família, ser feliz e etc.

Em meio a todos os objetivos, o sentimento de tornar-se um ser melhor, tomar as rédeas da vida, construir um caminho conforme o planejado e se apropriar da própria essência, atribuindo o “sentido”; também é considerado um desejo.

Porventura, se o desejo incita o sentido, por outro partido, também ocasiona a sua perca. Faz com que os seres humanos tornam-se vendados à realidade e se transformam em “loucos”.

Entretanto, quando ouvir-se falar sobre a realização de um desejo, sabe-se que nunca existirá a satisfação real, mas a procura de uma falta nunca realizada, clamando para que um dia assim, seja saciada.

O desejo, todavia, é a “alavanca” que sempre moverá o ser humano. Sendo assim, ás vezes sua salvação, porém por vezes o seu próprio carma; pois enquanto houver um suspiro de desejo, sempre haverá seres portadores de sentimentos designados à vida. E você... qual é o seu desejo?



Esse post é dedicado ao grande amigo Marcos Paulo.
Foi quem me deu a idéia do tema, espero ter correspondido...
:D
Bjo bjo